quarta-feira, julho 25, 2007

quinta-feira, julho 19, 2007

Não esperes por mim



Não esperes por mim,
porque o nosso tempo diverge
onde nos encontramos,

Aqui tudo é Longo;

Longa é a manhã que começa
no cantar dos galos,
acordando os camponeses
que ainda no escuro partem,

aos poucos,
o Sol vai abrindo os olhos
na manhã que se estende
prolongando o sossego noturno,


Longa é a tarde que surge
a partir do calor matinal
e que se prolonga
até o rosear do dia,

as estradas,
são longas como veias
rasgando as aveias e o trigo,
descarnando os campos

apenas salpicados
pelo verde dos chaparros
que dão nome às gentes
e pelos pontos brancos
dos montes e aldeias
que teimam em ficar,


Longa é a noite,
em toda a sua imensidão
colando céu e terra
aproxima a longa solidão,

os corpos se apartem do campo
quando escuridão envolta
caminhando para luz
que os trás de volta

envolta de um copo
ou à clareira do lume
se prolonga o trabalho
ou se cantam histórias

ilude-se o destino
dá-se a volta ao tempo
aqui vivesse
cada momento

tempo marcado
pelo calor do dia
não pelo relógio
se não ele fugia,

por isso digo;
este é meu fado
quando cá vires
encontra-me,
vê e entende
como ando eu,

mas não esperes por mim,
porque o caminho é longo
e o nosso tempo diverge

domingo, março 25, 2007

Desejo Encantado


Procurei o Desejo entre a luz do sul. Quanto mais fundo indagava mais a mescla se revelava. Unidos os sentidos tudo se aclarava. As caras por vezes, pareciam os espelhos de quem os olhava. Sobre a cal imprimiam as suas cores dia e noite. No ar haviam estradas de cheiros fortes que se entrosavam criando aromas como se fossem novas cores. As mãos personalizadas, estavam por todo lado, desde portas até à derme. O Desejo esse estava escondido atrás de lenços e janelas, feitos de uma geometria de formas, cores e cheiros para me seduzir e afastar.

terça-feira, março 06, 2007

Bob Dylan - Like a Rolling Stone

Bob Dylan - Like a rolling stone

Houve uma época que te vestias tão bem,
no teu auge atiravas um centavo para os vagabundos, não era?
As pessoas avisavam-te dizendo,
"Toma cuidado, boneca, estás destinada a cair".
pensavas que estavam todos a brincar contigo,
costumavas rir de Toda gente
de que estavam desperdiçar tempo.
Agora já não falas de tão alto,
Agora não pareces tão orgulhosa
A respeito de teres que pedir a tua próxima refeição.
Qual a sensação?
Qual a sensação?
De ficares sem um lar?
Como uma completa desconhecida,
Como uma pedra rolante?
Frequentas-te as melhores escolas, tudo bem, Srta. Solitária,
Mas sabes que dentro delas só costumavas ser espremida.
E que jamais alguém te ensinou a como viver na rua,
E agora descobriste que vais ter de te acostumar a isso.
Disseste que nunca te comprometerias
Com a rotina de trabalho, mas agora percebes-te que
Ele não está negociando nenhum pretexto
Enquanto olhas dentro do vazio dos olhos dele
E perguntas-lhe: "queres fazer um acordo?"
Qual a sensação?
Qual a sensação?
De estar por sua própria conta,
Sem nenhum rumo para casa ?
Como uma completa desconhecida,
Como uma pedra rolante ?
nunca te voltas-te para veres os olhares carrancudos
Nos malabaristas e palhaços,
Quando eles todos se humilhavam e faziam truques para ti.
Nunca compreendeste que isso é inútil,
Não devias permitir que outras pessoas
levassem pontapés por ti.
costumavas andar no cavalo cromado com o teu diplomata,
Que carregava em ombros um gato siamês.
Não é duro quando descobres que
Ele realmente não estava onde está
Após ele tirar–te tudo que podia roubar?
Qual a sensação?
Qual a sensação?
De estares por tua própria conta,
Sem nenhum rumo para casa ?
Como uma completa desconhecida,
Como uma pedra rolante?
Princesa na torre e todas as lindas pessoas
Estão bebendo, pensando que já têm a vida ganha,
Trocando todos os tipos de presentes e coisas valiosas.
Mas seria melhor que levantasses o teu anel de diamante,
Seria melhor penhorá-lo, bébé.
Costumavas ficar tão entretida [por]
Aquele Napoleão vestido de trapos e pela linguagem que ele usava,
Vai agora para ele, está a chamar-te, não podes recusar.
Quando não tens nada, não tens nada a perder,
Agora estás invisível, não tens segredos para esconder.
Qual a sensação?
Qual a sensação
De estar por sua própria conta,
Sem nenhum rumo para casa?
Como uma completa desconhecida,
Como uma pedra rolante?

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Opinião


"Até que os homens pensem por eles próprios, tudo é preconceito, e não opinião; pois só é opinião aquilo que é resultado de razão e reflexão."

Thomas Paine

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Pergunta ao Dalai Lama


- O que mais o surpreende na Humanidade?

DL - Os homens... porque perdem a saúde para juntar dinheiro,
depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro,
esquecem-se do presente de tal forma, que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.
E vivem como se nunca fossem morrer...
... e morrem como se nunca tivessem vivido

segunda-feira, setembro 18, 2006

Manu Chao - Mr. Bobby

Sometimes I dream about reality
Sometimes I feel so gone
Sometimes I dream about a wild wild world
Sometimes I feel so lonesome

Hey Bobby Marley
Sing something good to me
This world go crazy
It's an emergency

Tonight I dream about fraternity
TONIGHT I say: one day!
One day my dreams will be reality
Like Bobby said to me

Hey Bobby Marley
Sing something good to me
This world go crazy
It's an emergency

Hey Bobby Marley
Sing something good to me
This world go crazy
It's an emergency...

Tonight I watch through my window
And I can't see no lights
Tonight I watch through my window
And I can't see no rights

quinta-feira, agosto 03, 2006

Richard Ashcroft- break the night with colour

Fools they think I do not know
The road I'm taking
If you meet me on the way
Hesitating
That is just because I know which way I will choose

The corridors of discontent
That I've been traveling
All alone in search for truth
The world's so frightning
Nothing's going right today
'Cos nothing ever does

Oooh, I don't wanna know your secrets
Oooh, they lie heavy on my head
Oooh, let's break the night with colour
Time for me to move ahead

Monday morning coming down
like understanding
Mama thinks you are the ground
Looking so frightning
Nothing's going right today
'Cos nothing ever does

Oooh, I don't wanna know your secrets
Oooh, they lie heavy on my head
Time for me to break my cover
Time for me to move ahead

Been givin' up
You will come again

Been givin' up
You will come again


Oooh, I don't wanna know your secrets
Oooh, they lie heavy on my head
Oooh, let's break the night with colour
Time for us to move ahead

Oooh, I don't wanna know your secrets
Oooh, they lie heavy on my head
Oooh, let's break the night with colour
Time for me to move ahead

quarta-feira, maio 31, 2006

Tao claro como um peixe na agua!


Que riqueza sinto
quando te vejo
sinto-me assim farto
pela tua tamanha beleza
clara e transparente

quero-te assim
ìntima…
serena…
despida de gente

mostra-me os segredos
que guardas
em teu interior
deixa-os na praia
pra vê-los melhor

a cor das pedras
as formas das conchas
o relevo macio da areia
em meus pés à beira-mar

da brisa marinha encho
a minha vela de sonhos
contruo castelos de areia
que se diluem no mar

ouvir a tua voz baixinho
na língua das ondas
convences-me que a vida
é muito maior

maior que a pequenez
maior que a altivez
que apesar da tormenta
renascemos outravez

no teu corpo cristalino
vejo que falas verdade
vejo peixes e algas
que nunca tinha avistado

então…
despido de preconceitos
mergulho em ti Despina
enquanto nado leve
do peso terreno
relembro as tuas palavras
e de teu líquido amniótico
rompo e renasço.

terça-feira, abril 18, 2006

Time


“As horas passam marcando os momentos
Que se vão, que formam um dia monótono
Desperdiças e perdes as horas
De uma maneira descontrolada
Deambulando num pedaço de terra
Na tua cidade natal
Esperando alguém ou algo
Que venha mostrar-te o caminho

Cansado de te deitares na luz do sol
De ficar em casa observando a chuva
És jovem e a vida é longa
Há tempo de viver o hoje
E depois, um dia descobrirás
Que dez anos ficaram para trás
Ninguém te disse quando correr
perdes-te o tiro de partida

Corres e corres para alcançar o sol
Mas ele está indo embora no horizonte
E girando ao redor da Terra para se levantar
Atrás de ti outravez
O sol permanece, relativamente, o mesmo
Mas tu está mais velho
Com o fôlego mais curto
E a cada dia mais próximo da morte

Cada ano está ficando mais curto
Nunca pareces ter tempo.
Planos que tão pouco deram em nada
Ou em meia página de linhas rabiscadas
Insistindo num desespero quieto
É a maneira inglesa
O tempo foi-se, a canção terminou
Pensei que tivesse algo mais a dizer”.

Pink Floyd

quarta-feira, abril 05, 2006

Lanterna dos afogados


Entraste pela porta
dos desperançados,
daqueles que a vida
desfez em bocados.

Almas perdidas
que a vida atraiçoou,
criadas para o bem
mas que o mundo negou.

Pede uma bebida
e circula pelo bar,
ouve as histórias
de quem quer-te amar.

A média-luz revela
em todas as faces
a pura tela,

um chiaroescuro de sentimentos
onde o Amor se afoga
e perde o julgamento

dos sonhos perdidos
de quem não se achou,
mantidos na bebida
que não os secou.

Este universo agora é teu
no outro lado da porta
tudo padeceu,

amanhã outro dia virá,
colocarás a máscara funebre
e a hipocrisia reinará…
reinará…
reinará.

Até que a noite venha
e te desperte
quando por aquela porta entrares
e te liberte…
te liberte…
liberte…
desperte.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

vivacidade


Raiou o dia, ao ultimo vôo da coruja!
A luz acendia aos poucos as cores da vida.
Era o dia do casamento da Florentina Azeda com o Zé Malmequer. O Solestino e a prima Vera eram o seus padrinhos. Vera tinha vindo somente de propósito ao casamento, mas prometera voltar mais tarde, depois da lua de mel dos noivos, para ver os filhos destes. O Solestino esse, disse que estava de férias, tinha ainda uns dias para gozar do ano anterior e andava a dar uma mãozinha à prima, mas estaria por aí com mais regularidade, a partir da altura do regresso da prima. Os pássaros cantavam em vários coros afinados a marcha do desfile, as flores, com o seus fatos de cerimonia, olhavam impacientes seguindo o carro brilhante dos padrinhos, as abelhas, como grandes alfaiates, manicures e cabeleireiras não tinham patas a medir, pois todos pediam os seus préstimos, andavam num zum zum ensurdecedor.
Todos tinham sido convidados.
Todos não!
Somente os Humanos não tinham sido convocados, pois estes por má educação ou inveja, pisavam ou roubavam-lhes os fatos. A Igreja por dentro estava entupida só pelos mais pequenos, a Erva de Aninha e o Musgo que tinham as alianças de orvalho cristalino. O casal, vestidos com as melhores pétalas olhavam um para o outro em silencio, mas comentando para com os seus botões a beleza do parceiro. O padre Musaranho realizou o matrimónio e A Carol Xinha leu os salmos. No fim, do alto da torre as rolas anunciaram a todos o enlance. Então agitaram-se todos e em de gritos fragrantes deram vivas aos noivos.

P.S.
Eu como fotógrafo tirei uma foto de grupo, não se vêem os noivos, pois não queria passar por cima de ninguem.

Luis do Nascimento

segunda-feira, dezembro 19, 2005

termo das memorias


Guardas sonhos
esquecidos nos tempos

recolheram-te as velas
mas não os momentos

tesouro das vidas
que então nutrias

tradutor do vento
de quem aprendias

como tudo passa
porque ele leva

trancaste as memórias
para tua reserva

Luis do Nascimento

sexta-feira, novembro 25, 2005

Ser, ou nao Ter, eis uma resposta!


Num mundo em que o imperativo é “ter”, sem que para isso exista uma necessidade de querer "ter" por vontade própria. Existe no senso-comum um consumo do tipo “porque sim” disfarçado de sucesso, que criando novos preconceitos, restrige a evolução do intelecto a uma espécie de apetite. Em que o corpo, pedindo duma forma voluntária se sobrepõem à mente, na qual, faz com que não exista mais do que gestos repetidos.
Cabe à Arte alimentar a mente de sonhos e tornar o impossível possivel.

Luis do Nascimento

sexta-feira, novembro 18, 2005

peregrinosseia


Fazer o “camiño”, é como olharmo-nos no espelho e ver nele toda a essência fisíca do ser que somos. Sentir a natureza à nossa volta e poder toca-la com os sentidos, é um tesouro que se descobre ao ritmo do nosso passo. O som das àrvores, o canto dos passáros, o restolhoar das folhas a nossos pés, na diferença do relevo que pisamos que cansa o corpo e questiona a mente.
—Será que consigo?
Por nós, passam gentes de corpos secos a passo firme, às quais ninguem dúvida de seu exito. Mas o “camiño” não é um passeio de fim-de-semana e obriga as pessoas a parar, nem que seja por mazelas. No “camiño” aprende-se a respeitar e a respeitar-se, essa é uma de suas joias. Deixar-nos guiar por ele, que parece saber como nos parar. Num riacho que nos atravessa, no qual pomos os pés tão inchados que já vaporizam, mas que, ao entrarem na água causa tão grande prazer, que em conjunto com paisagem que nos envolve, nos deixa tão extasiados, que nos deitamos de barriga para o ar a ver o cimo das arvores com seus verdes e amarelos, tendo o azul do céu como fundo. Pelo “camiño” conhece-se gentes de muitas nacionalidades que nos fazem sentir que não estamos sozinhos em nossos sentimentos de busca, pais com os filhos, namorados, casados, idosos, grupos de amigos e solitários. Todos eles estão ali por motivos diversos, mas sentem-se bem no “camiño”. Nas aldeias existe sempre um acolhimento amigável por parte dos aldeões que nunca recusam a ajuda aos peregrinos, chegando até a terem agua a correr a partir de suas casas para lhes saciar a sede. No final, nada fica igual! Os rostos refletem uma mudança interior, de que nos damos conta, quando nos encaramos uns aos outros na luz do sol de Santiago de Compostela. É aí, que descobrimos a construção das respostas simples.
—Consigo.

Luis do Nascimento

sexta-feira, novembro 04, 2005

Anafora utopica


Quero sair de mim e encontrar-me com o mundo,
Quero a cada fôlego beber a vida ao segundo,
e neste cais, sentado espero…

Quero o perfume do azul que dá cor aos sentimentos,
Quero ver nas nuvens o filme de todos os momentos,
e neste cais, sentado espero…

Quero tocar na espuma das ondas e senti-las respirar,
Quero voar com as gaivotas ir a portos de qualquer mar,
e neste cais, sentado espero…

Quero olhar o horizonte e ver uma meta de sonhos,
Quero viver a vida e ver o mundo com outros olhos,
e neste cais, o barco parte.

Luis do Nascimento

quarta-feira, agosto 03, 2005

Em busca do "nada"


Procuro o "nada"
no espaço vazio da mente
Imagino e crio-o
para o ver…
junto-lhe o branco…
quero tocar-lhe com a vista
e nele imaginar todos os elementos;
ser senhor no meu Reino
Mas só o farei
quando valer apena
Por agora,
quero apenas vaguear,
marcar o trilho com os meus passos
e conhecer o "nada"
que preenche a minha
humana mente

Luis do Nascimento

terça-feira, julho 26, 2005

Uma queda Celestial!


Cai a Noite!
Ofuscada pela luz
tropeça no astro Rei…
numa tentativa de amparo
estende os braços e…
arrastando consigo o manto
coloca o Universo a nú,
enchedo o mundo de espanto!
Num sorriso de Gioconda
a Lua sorri!
E o baile continua.

Luis do Nascimento